Receber uma ligação que parece vir do banco, um e-mail com o endereço “oficial” de uma empresa conhecida ou até uma mensagem no WhatsApp usando a foto e o nome de alguém próximo pode parecer algo normal. O problema é quando tudo isso faz parte de um golpe silencioso e cada vez mais comum: o spoofing.
Diferente de fraudes mais explícitas, o spoofing atua na camuflagem. O criminoso falsifica informações para parecer alguém confiável, criando um cenário que induz a vítima a agir sem desconfiar. E justamente por explorar a confiança, esse tipo de golpe continua fazendo milhares de vítimas no Brasil.
O que é spoofing?
Spoofing é uma técnica usada por golpistas para fingir ser alguém confiável – seja empresa ou até mesmo um familiar. Isso pode acontecer em uma ligação que parece vir do banco, em um e-mail, em uma mensagem de texto ou até em um site que imita uma página verdadeira.
A partir disso, tenta induzir ações rápidas, como solicitar dados pessoais, códigos de segurança, acessar links falsos ou até realizar pagamentos.
Órgãos como o CERT.br e a Anatel classificam o spoofing como uma das bases de vários golpes digitais modernos, já que ele costuma ser combinado com outras fraudes, como phishing, vishing e smishing.
Por que o spoofing funciona tão bem no Brasil?
O spoofing funciona porque explora três fatores principais:
- Confiança: a vítima acredita estar falando com uma empresa, banco ou pessoa conhecida.
- Urgência: mensagens e ligações costumam criar pressão, como bloqueio de conta ou cobrança imediata.
- Familiaridade: nomes, números e logotipos reais reduzem a desconfiança.
Mesmo pessoas experientes podem cair nesse tipo de golpe, especialmente quando o contato acontece em um momento de distração ou estresse.
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Principais tipos de spoofing
O spoofing não acontece de uma única forma. Existem variações, e entender cada uma delas ajuda a identificar o golpe mais rapidamente.
Spoofing de ligação telefônica
Nesse caso, o golpista falsifica o número que aparece no visor do telefone. A chamada pode parecer vir de um banco, de uma empresa conhecida ou até de um número local.
É comum que o criminoso se apresente como atendente, diga que houve uma movimentação suspeita na conta e peça confirmações de dados ou códigos enviados por SMS.
A Anatel alerta que nenhuma operadora ou banco solicita senhas completas ou códigos de segurança por telefone.
Spoofing por e-mail
Aqui o endereço do remetente é falsificado para parecer legítimo. Visualmente, a mensagem parece oficial, com logotipos, linguagem corporativa e assinatura falsa.
Esse tipo de spoofing costuma ser usado em golpes de phishing, levando a vítima a clicar em links que direcionam para páginas clonadas.
Spoofing por SMS (smishing)
No smishing, o spoofing aparece no nome ou número do remetente. A mensagem pode surgir como se fosse de um banco, operadora ou serviço de entrega.
O texto geralmente inclui links encurtados e frases alarmantes, como “compra não reconhecida” ou “sua conta será bloqueada”.
Spoofing em aplicativos de mensagem
Em aplicativos como WhatsApp e Telegram, o spoofing acontece quando o golpista usa:
- Foto de perfil copiada
- Nome igual ao de um contato real
- Número semelhante ao original
Esse tipo de golpe é comum em fraudes que envolvem pedidos de dinheiro, falsos sorteios ou solicitações urgentes.
Spoofing de sites
O site spoofing ocorre quando criminosos criam páginas falsas visualmente idênticas às originais. O endereço pode ter pequenas variações que passam despercebidas.
Ao inserir dados nesse tipo de site, a vítima entrega informações diretamente ao golpista.
Spoofing e outros golpes: qual a relação?
O spoofing raramente atua sozinho. Ele costuma ser a “porta de entrada” para outros golpes digitais.
- Phishing: o spoofing torna o e-mail ou site mais convincente.
- Vishing: ligações falsas se passam por centrais de atendimento.
- Smishing: mensagens SMS usam remetentes falsificados.
Por isso, identificar o spoofing ajuda a bloquear uma cadeia inteira de fraudes.

Como identificar um golpe de spoofing?
Alguns sinais se repetem na maioria dos golpes:
- Pedidos urgentes ou ameaças de bloqueio
- Solicitação de dados sensíveis
- Links encurtados ou estranhos
- Pressão para agir rapidamente
- Contato inesperado
Mesmo que o número ou e-mail pareça legítimo, é importante desconfiar quando esses sinais aparecem.
O que fazer se você suspeitar de spoofing?
Ao receber um contato suspeito:
- Não clique em links
- Não forneça dados pessoais
- Desligue a ligação
- Entre em contato com a empresa por canais oficiais
Se houver prejuízo financeiro, registre um boletim de ocorrência e informe o banco imediatamente.
Como se proteger do spoofing no dia a dia
Algumas práticas simples reduzem muito o risco:
- Ative a verificação em duas etapas
- Desconfie de contatos inesperados
- Confira URLs com atenção
- Não compartilhe códigos de segurança
- Mantenha aplicativos atualizados
O CERT.br reforça que a prevenção depende mais de comportamento do que de tecnologia.
Por que o spoofing deve continuar sendo uma ameaça?
Com o avanço da tecnologia e o uso crescente de serviços digitais, o spoofing tende a se tornar mais sofisticado. Ferramentas que facilitam a falsificação de números e endereços continuam acessíveis para criminosos.
Por isso, a informação é a principal defesa. Entender como o golpe funciona reduz drasticamente as chances de cair nele.
Já caiu, ou conhece alguém que caiu nesse golpe? Conta nos comentários como foi!
