Atender uma ligação parece algo simples e inofensivo. Na maioria das vezes, é mesmo. Mas, em alguns casos, basta poucos minutos ao telefone para que um golpista consiga informações suficientes para causar um grande prejuízo financeiro. É exatamente assim que funciona o vishing.
O termo surgiu da junção de duas palavras do inglês: voice (voz) com phishing. Na prática, trata-se de um golpe em que criminosos usam ligações telefônicas para se passar por empresas, bancos, operadoras ou até órgãos públicos, com o objetivo de enganar a vítima.
Diferente de golpes por SMS ou e-mail, o vishing aposta no contato humano. A voz do outro lado da linha transmite falsa confiança, cria urgência e pressiona a pessoa a agir sem pensar.
O que é vishing e como o golpe funciona?
No vishing, o criminoso liga para a vítima fingindo ser um atendente legítimo. Pode ser alguém do “setor de segurança do banco”, da “central do cartão”, da “operadora de telefonia” ou até de um “órgão governamental”.
Durante a conversa, ele cria uma situação alarmante: uma compra suspeita, uma tentativa de invasão, um bloqueio iminente da conta ou um problema urgente que precisa ser resolvido na hora.
A partir disso, começa a coleta de informações.
Os golpistas costumam solicitar: senhas ou códigos enviados por SMS, confirmação de dados bancários e realização de transferências ou pagamentos.
Tudo isso acontece durante a ligação, muitas vezes em tom educado, profissional e convincente.
Muitas vezes, esse golpe imita a ligação de uma central de atendimento de um banco ou instituição financeira para parecer mais verdadeiro. Existem golpistas que incluem até mesmo o barulhinho de espera da ligação.

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Por que o vishing funciona tão bem no Brasil?
O sucesso do vishing no país está no fator humano. Diferente de um e-mail suspeito, uma ligação gera interação imediata. A pessoa sente que precisa resolver o problema naquele momento.
Além disso, os criminosos usam técnicas de engenharia social:
- tom de urgência
- linguagem técnica
- informações básicas já vazadas (nome, CPF parcial, banco)
- spoofing, que faz o número parecer oficial
Quando a ligação vem de um número que “parece do banco”, a desconfiança diminui drasticamente.
Outro ponto importante é o medo. Ao ouvir que uma conta pode ser bloqueada ou que alguém tentou usar seu cartão, muitas pessoas agem por impulso.
Exemplos comuns de vishing
Alguns cenários se repetem com frequência:
- Falsa central do banco: o golpista diz que houve uma compra suspeita e pede confirmação de dados ou códigos
- Cartão clonado: a vítima é orientada a “cancelar” compras e acaba fazendo transferências
- Atualização cadastral: a ligação pede confirmação de dados para “evitar bloqueio”
- Falso suporte técnico: o criminoso se passa por empresa de tecnologia para obter acesso a contas
Em todos os casos, o roteiro é parecido: criar um problema urgente e oferecer uma solução imediata — controlada pelo próprio golpista.
Vishing é diferente de phishing e smishing?
Sim, embora todos façam parte da mesma família de golpes.
- Phishing: acontece principalmente por e-mail ou sites falsos
- Smishing: ocorre via SMS ou aplicativos de mensagem
- Vishing: usa exclusivamente a ligação telefônica
O objetivo, porém, é sempre o mesmo: enganar a vítima para roubar informações ou dinheiro.
Como se proteger do vishing
Não existe uma única regra, mas alguns cuidados simples reduzem muito o risco.
O primeiro passo é desconfiar de ligações inesperadas, principalmente as que envolvem urgência, pois bancos e empresas não pedem senhas ou códigos por telefone.
Nunca informe códigos recebidos por SMS durante uma ligação, principalmente o código de verificação do WhatsApp – é assim que eles registram sua conta em outro aparelho.
Se uma ligação parecer suspeita, desligue e procure o SAC oficial da empresa. Não confie apenas no número que aparece na tela.
E o principal, evite tomar decisões financeiras sob pressão.
Caiu em um golpe de vishing. E agora?
Se você percebeu que foi vítima, agir rápido faz diferença.
- Entre em contato imediatamente com o banco
- Bloqueie cartões e acessos comprometidos
- Registre um boletim de ocorrência online (assista o passo a passo em vídeo)
- Monitore movimentações financeiras
- Troque senhas de contas afetadas
Quanto mais cedo a fraude é identificada, maiores são as chances de reduzir os danos.
O vishing não é um golpe novo, mas continua extremamente eficiente. Isso acontece porque ele explora confiança, medo e pressa — sentimentos comuns no dia a dia.
Saber que esse tipo de golpe existe é o primeiro passo para não cair. O segundo é lembrar que, em situações reais, empresas sérias nunca pressionam o cliente por telefone.
Já caiu ou conhece alguém que tenha caído nesse golpe? Conta nos comentários!
