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O que aconteceu com a Facily? De empresa unicórnio a startup em crise

A startup de compras coletivas conquistou milhões de usuários e investidores, mas viu sua trajetória mudar rapidamente após o auge.

A Facily foi uma das startups brasileiras que mais cresceram durante o período de pandemia. Apostando em um modelo de compras coletivas e preços reduzidos, a empresa conquistou milhões de consumidores em poucos anos e passou a ser vista como uma das grandes promessas do comércio eletrônico nacional.

O sucesso foi tão rápido que a startup alcançou um feito raro: tornou-se um unicórnio. Este termo é utilizado para empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão – de dólares -, um grupo seleto que reúne algumas das startups mais valiosas do mundo.

Na época, a Facily aparecia com frequência nas notícias sobre inovação e tecnologia. Investidores apostavam no potencial da companhia, enquanto o número de usuários crescia rapidamente.

Mas a trajetória de sucesso não durou muito tempo. Poucos meses após atingir o status de unicórnio, a empresa começou a enfrentar uma série de problemas que acabaram afetando sua reputação e suas operações.

Reclamações de consumidores, dificuldades logísticas, demissões em massa e problemas financeiros passaram a fazer parte da rotina da startup.

Como a Facily surgiu e virou unicórnio em apenas três anos

A Facily foi fundada em 2018 por Diego Dzodan, Luciano Freitas e Vitor Zaninotto. Curiosamente, a empresa não começou atuando exatamente da forma pela qual ficou conhecida.

Nos primeiros meses de operação, a startup funcionava como uma plataforma para conectar consumidores a prestadores de serviços – similar ao que é feito pelo GetNinjas. Mas com o passar do tempo, o modelo de negócios foi alterado.

Aparência da Facily em Novembro 2018
Aparência do site Faci.ly em novembro de 2018 (via: Wayback Machine)

A empresa passou a investir no chamado social commerce, um formato de comércio eletrônico baseado em compras coletivas. Na prática, os consumidores podiam obter preços menores ao participar de grupos de compra dentro da plataforma.

A estratégia encontrou espaço principalmente entre consumidores das classes C, D e E, que buscavam produtos com preços mais acessíveis.

O crescimento foi extremamente rápido. Segundo informações divulgadas pelo próprio CEO da empresa, a Facily saiu de aproximadamente 100 mil pedidos mensais para cerca de 7 milhões de pedidos por mês em menos de um ano.

Esse avanço chamou a atenção de investidores nacionais e internacionais. Diversos fundos passaram a aportar recursos na startup, permitindo que a empresa ampliasse suas operações e acelerasse ainda mais sua expansão.

Entre os fatores que contribuíram para o crescimento da Facily estavam:

  • o modelo de compras coletivas;
  • os preços competitivos oferecidos aos consumidores;
  • o crescimento do comércio eletrônico durante a pandemia;
  • o foco em públicos que buscavam economia;
  • o interesse de grandes investidores no mercado de tecnologia.

O auge dessa trajetória aconteceu em dezembro de 2021, quando a companhia atingiu uma avaliação superior a US$ 1 bilhão e passou oficialmente a integrar o grupo dos unicórnios brasileiros.

Naquele momento, poucos imaginavam que a empresa enfrentaria uma crise tão profunda nos meses seguintes.

O crescimento acelerado trouxe problemas para a Facily

Embora o crescimento rápido seja o objetivo de praticamente toda startup, ele também pode trazer desafios significativos quando a estrutura da empresa não consegue acompanhar a demanda.

No caso da Facily, foi justamente isso que começou a acontecer.

Enquanto milhões de consumidores realizavam compras pela plataforma, aumentavam também os relatos de atrasos nas entregas e dificuldades para receber produtos adquiridos no aplicativo.

Muitos clientes passaram a registrar reclamações em órgãos de defesa do consumidor e em plataformas especializadas.

Os problemas começaram a ganhar repercussão nacional à medida que o volume de queixas crescia.

Segundo reportagens publicadas na época, o Procon-SP chegou a registrar dezenas de milhares de reclamações envolvendo a empresa.

Entre os principais problemas relatados pelos consumidores estavam:

  • atrasos na entrega de pedidos;
  • produtos que não chegavam ao destino;
  • dificuldades para solicitar reembolsos;
  • demora no atendimento aos clientes;
  • falta de informações sobre pedidos em andamento.

Ao mesmo tempo, a empresa enfrentava desafios operacionais internos. O crescimento acelerado exigia uma estrutura logística cada vez maior, algo que acabou se tornando um obstáculo para a manutenção da qualidade dos serviços.

A reputação da startup começou a ser afetada justamente quando ela vivia seu momento de maior visibilidade.

Por que a Facily fez demissões em massa poucos meses após virar unicórnio?

Em 2022, poucos meses após alcançar o status de unicórnio, a Facily voltou aos noticiários por um motivo completamente diferente.

A empresa anunciou uma série de demissões que atingiu centenas de funcionários.

Na época, diversas startups brasileiras estavam revisando seus planos de crescimento em razão das mudanças no cenário econômico global. A facilidade para captar investimentos já não era a mesma observada durante os anos anteriores.

No entanto, no caso da Facily, os cortes ocorreram em meio a um contexto mais amplo de dificuldades operacionais e aumento das reclamações de consumidores.

A medida foi vista pelo mercado como uma tentativa de reorganizar a empresa e reduzir custos.

O episódio chamou atenção porque ocorreu pouco tempo depois da startup ter alcançado uma avaliação bilionária.

Para muitos observadores do mercado, a situação demonstrava como o crescimento acelerado nem sempre é suficiente para garantir a sustentabilidade de um negócio.

Enquanto isso, investidores passaram a acompanhar a situação da companhia com maior cautela.

A Facily ainda existe?

Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, a Facily não anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades.

No entanto, reportagens mais recentes mostram que a situação da empresa continua sendo motivo de preocupação.

Em abril de 2024, o site NeoFeed informou que a startup corria sério risco de fechar as portas, mesmo após ter captado mais de US$ 500 milhões ao longo de sua trajetória.

A reportagem mostrou que a companhia buscava alternativas para manter suas operações e encontrar soluções para seus desafios financeiros.

Meses depois, outra publicação do NeoFeed revelou que a Facily havia contratado o BR Partners para conduzir um processo de busca por compradores interessados na empresa.

Esse movimento reforçou a percepção de que a startup estava tentando encontrar caminhos para garantir sua continuidade.

A situação contrasta bastante com o cenário observado em 2021, quando a companhia era apontada como uma das startups mais promissoras do país.

Embora a marca continue existindo, a Facily está longe do momento de crescimento acelerado que a levou ao status de unicórnio.

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Ébert Almeida
Ébert Almeida
Mineiro, ex-estudante de Ciência da Computação com expertise em coleta de dados e redação para web. Especializado em reunir e organizar informações de contato de empresas, facilitando o acesso rápido a canais de atendimento ao consumidor. No Telefones das Empresas, aplica conhecimento técnico e habilidades de pesquisa para oferecer dados precisos e atualizados.

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